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Dom Valdir, agora empossado, concede entrevista coletiva à imprensa

Durante entrevista coletiva concedida após cerimônia de ordenação e posse, Dom Valdir aponta prioridades e desejo de conhecer mais profundamente realidade da Diocese.
 |  Andrea Rodrigues  |  Diocese

No dia da ordenação episcopal, 26 de novembro, após à cerimônia, Dom Valdir José de Castro concedeu uma entrevista coletiva para a imprensa presente. Entre os assuntos, diretrizes e caminhos escolhidos para seu governo.

[Fernando Geronazzo, O São Paulo]: Qual é o sentimento do senhor, agora que não é mais um bispo nomeado, mas bispo de fato, um dos sucessores dos apóstolos?

É claro, entre a nomeação e o assumir é um pouco diferente, mas quando nomeado pelo Papa eu já comecei uma preparação no que diz respeito à função, mas também o psicológico, no sentido que eu estava prestes a mudar estilo de vida, eu sou religioso Paulino e tinha um apostolado ligado à comunicação bem específico. Foi um período de dois meses e meio que tive para me preparar.

Agora que aconteceu a ordenação eu vejo o compromisso ainda maior porque agora eu começo de fato a agir dentro da Diocese acompanhando todas as suas dimensões – que é evidente, não conheço totalmente –, mas conheci um pouco do território, já me reuni com o clero, conheci alguns aspectos da Diocese. Com a ordenação episcopal, tenho esse apelo de me interessar cada vez mais por essa igreja particular e de caminhar junto, meu sentimento é positivo, de esperança, de fazer um caminho de Igreja, como disse hoje no discurso final: um caminho sinodal, caminhar juntos. Na congregação dos Paulinos já estávamos seguindo esse caminho, dentro do percurso que a Igreja Universal, então, a Igreja de Campo Limpo vai dar continuidade ao caminho, ao caminho do Evangelho, o caminho de viver como Igreja.

O padre, o presbítero, é aquele que é a ponte dentro da comunidade, é a ‘ligação’, aquele que cria pontes, que favorece a comunicação, aquele que abre espaço a participação dos leigos, aquele que anima, quero fazer um trabalho muito próximo do clero e, evidente, com os leigos e com as diversas pastorais.

Dom Valdir José de Castro

[Rádio Novo Tom]: Qual o maior desafio, em sua opinião, terá nesta diocese, tão ampla de tantas paróquias?

A Diocese terminou um plano de evangelização há dois anos. Um dos desafios que temos pela frente na diocese é preparar o 7º plano de evangelização diocesano e isso coincide com o início desse meu serviço nesta Diocese. Então uma das prioridades é, com os padres, os leigos, com as diversas pastorais, como iremos fazer esse caminho para elaborar este plano de pastoral que é aquele que orientará toda a Diocese.

Evidente, que no que se trata de trabalho, eu tenho muito desejo de trabalhar muito com o clero e nas paróquias, no diálogo com aqueles que estão nas paróquias. O padre, o presbítero, é aquele que é a ponte dentro da comunidade, é a ‘ligação’, aquele que cria pontes, que favorece a comunicação, aquele que abre espaço a participação dos leigos, aquele que anima, quero fazer um trabalho muito próximo do clero, e evidente, com os leigos e com as diversas pastorais.  Eu sou muito ligado à pastoral da comunicação, meu carisma até agora era com a comunicação, meu trabalho especifico era nessa área, neste sentido é evidente que a comunicação vai ser um dos aspectos que eu vou procurar motivar e dar força aqui na Diocese.

Sem a comunicação, a comunicação com o Espírito Santo, a comunicação entre nós, a Igreja não caminha, então essa é, vamos dizer, a prioridade.

Dom Valdir José de Castro

É importante dizer que para mim a comunicação é fundamental em todas as pastorais, todas as pastorais são importantes e a comunicação deveria perpassar por todas, não deveria ser um setor a parte. Muitas vezes dizemos, tem a pastoral disso, pastoral daquilo e tem a pastoral da comunicação; Não!  A pastoral da comunicação, mesmo ela sendo específica, estando dentro de um setor ou uma pastoral, ela deve trabalhar de modo interativo com todas as pastorais para que a comunicação possa fluir porque sem comunicação é muito difícil a Igreja caminhar, as comunidades caminharem e também é muito difícil a sinodalidade. Sem a comunicação, como eu dizia hoje, a comunicação com o Espírito Santo, a comunicação entre nós, a Igreja não caminha, então essa é, vamos dizer, a prioridade.

Outro ponto importante é a formação. A formação do leigo, formação do clero, formação dos seminaristas, são muitas frentes que se complementam e que são preocupação nesse início de trabalho aqui na diocese.

[Adílson Oliveira, Jornal O Verbo]: A diocese é marcada por uma grande desigualdade social, como que o senhor vai lidar com a questão social? O senhor é adepto da opção preferencial pelos pobres?

Primeiro, a opção preferencial pelos pobres é uma opção da Igreja, opção da América Latina, opção do Brasil. Então como parte da conferência episcopal, do caminho da Igreja no Brasil, é claro que a opção preferencial pelos pobres vai estar dentro do trabalho pastoral, não podemos caminhar sem essa opção. É preciso recordar que todos os batizados, todos que desejam fazer parte da Igreja devem ser acolhidos, dando especial atenção aos pobres, aqueles que não têm voz, nem vez. 

Não quero encher a agenda só de reunião, reunião, reunião e esquecer que é preciso visitar e ver a realidade como ela está.

Dom Valdir José de Castro

Eu disse em todos os encontros que tive com o clero por região episcopal que eu não quero ser um bispo de gabinete. Não quero encher a agenda só de reunião, reunião, reunião e esquecer que é preciso visitar e ver a realidade como ela está, entrar na casa do pobre, entrar na casa das pessoas necessitadas, como pede o papa Francisco, nas periferias existenciais, em todos os sentidos, isso vai ser uma prioridade.

Hoje, no momento do propósito do eleito, existiu uma pergunta que fala justamente dos pobres, eu quero ver evidente o que já tem sido feito na diocese, e a partir daí continuar os trabalhos, vamos trabalhar essa opção preferencial pelos pobres porque é o que está na Igreja, eu estou com o magistério do Papa Francisco, assim como antes de ser bispo estava com o João Paulo II, depois com Bento XVI.

A diocese sobre o bispado do senhor será solidária com as lutas do mais pobre?

Vai ser solidária sim, agora como vamos fazer é uma coisa que temos que decidir juntos, como Igreja, o bispo sozinho não faz nada, ele tem que animar, trabalhar com os leigos, com o clero. A Igreja é de todo mundo, todos juntos e fazer esse plano de pastoral, que vamos começar a pensar, vamos passar por esse caminho: por onde a Igreja de Campo Limpo deseja ir? Para onde? Qual a perspectiva? Porque um caminho já tem sido feito aqui.

Quando eu disse sim para a Igreja de Campo Limpo, o núncio me disse que a Diocese estava organizada, ou seja, não estou chegando aqui para inventar a roda, já temos um caminho feito e agora vamos ver o que se pode fazer nas diversas dimensões. Por isso insisto, quero conhecer as diversas pastorais, em que área cada pastoral está inclusive essas ligadas ao social, inclusive visitei a Cáritas. É todo um caminho que tem que fazer, tem que ter tempo para conhecer, então que a Diocese tenha um pouco de paciência e me ajude a olhar as diversas realidades aqui existentes para que a gente vá respondendo as necessidades.

Sei que é impossível chegar a uma pastoral perfeita, sempre estaremos construindo, reconstruindo, o que não se pode perder é a perspectiva do Evangelho.

Dom Valdir José de Castro

O meu critério será o Evangelho, ‘faço tudo pelo evangelho’, meu lema episcopal. É como São Paulo: Se começamos a fazer alguma coisa, nos perguntemos: é evangelho?  Na nossa vivência, tem Evangelho? Na convivência, tem Evangelho? Na nossa ação pastoral, onde está o evangelho? Eu sempre ‘baterei nesta tecla’. Sei que é impossível chegar a uma pastoral perfeita, sempre estaremos construindo, reconstruindo, o que não se pode perder é a perspectiva do Evangelho.

[Henrique de Castro, Diocese de Campo Limpo]: Para encerrar pode deixar uma mensagem?

No jornal Diocese em Ação deste mês escrevi falando de esperança. Venho com muita esperança. Esperança não é a gente fechar os olhos a realidade de dor, de sofrimento, de marginalização e sim justamente considerando essa realidade, pela fé e pelo amor, dar passos em frente para melhorar realidades, situações.

O que a Diocese de Campo Limpo como Igreja pode fazer para melhorar as condições do nosso povo?  Começando pela questão mais básica, que é a comida, a educação, o que todos nós podemos fazer para melhorar a realidade do nosso povo? Primeiro é preciso manter a esperança, porque sem esperança a gente não caminha.

Um povo sem esperança é um povo morto, uma pessoa sem esperança não vai para frente, é com essa perspectiva que eu olho, claro, de uma realidade que eu necessito ainda conhecer, quero que caminhemos juntos, no diálogo, observando as necessidades da Diocese e depois, tomando as decisões necessárias para que a gente possa de fato construir o Reino e dar passos longos dentro dessa realidade especifica, dentro dessa diocese, muito complexa, de realidade de campo e de cidade, de riqueza e de pobreza, de violência, mas também de situações bonitas, positivas, construtivas, de muitas ações caritativas.


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