Proteção dos menores: conheça o projeto que está sendo implementado no Brasil

Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, da Fazenda da Esperança, é o único representante brasileiro na Comissão Pontifícia de Proteção dos Menores. Nesta entrevista, ele fala do projeto-piloto que está sendo implementando no Brasil.

Vatican News | Terça, 19 Fevereiro 2019 09:27
Proteção dos menores: conheça o projeto que está sendo implementado no Brasil Vatican Media

Uma nova mentalidade, em que as vítimas não tenham medo de falar, investindo na prevenção: nesta ótica, está sendo implementado no Brasil um projeto-piloto de proteção aos menores.

Com o Brasil, a Comissão vaticana que cuida desses casos identificou outros dois países, Filipinas e Zâmbia, que estão criando projetos inspirados no modelo anglo-saxão.

A Comissão Pontifícia de Proteção aos Menores foi criada pelo Papa Francisco em 2015 com três finalidades principais: a escuta das vítimas, elaboração de diretrizes para o enfrentamento dos casos e prevenção nos seminários do mundo inteiro.

No Brasil, o projeto está em fase de implementação, como nos fala Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, da Fazenda da Esperança, o único representante brasileiro na Comissão Pontifícia:

Este projeto é um grupo formado de sete a oito pessoas, que vai servir de subsídio para a CNBB, de apoio. Por ser composto justamente por vítimas, elas por experiência sabem explicar, propor, como pode ser evitado. É um grupo que agora no Brasil estamos na fase de implementação da identificação dos membros. Não é um grupo de autoajuda, é um grupo de pessoas que estaria à disposição, em particular da CNBB, para poder ajudar neste processo que o Papa Francisco está levando à frente no sentido do enfrentamento desta problemática.

Como o senhor analisa o modo como a Igreja no Brasil tem enfrentado esta questão?

É um processo novo aqui no Brasil. E aquilo que está acontecendo, de escândalos que estão surgindo, está obrigando que os bispos tenham que enfrentar da mesma forma como aconteceu em outros países, especialmente anglo-saxônicos. Eu sinto que aqui no Brasil estamos muito no início, mas têm muitos bispos, sacerdotes que os auxiliam, que estão trabalhando com muito empenho neste sentido. Não é muito fácil, porque eu vejo que a nossa cultura brasileira, latina, tem muita dificuldade no sentido de falar, de se abrir. E isso muitas vezes impede que esse processo seja enfrentado com objetividade. Também porque há carinho, respeito muito grande que nós, povo brasileiro, temos pelo clero, pela Igreja. Então um fato que infelizmente possa acontecer, ou aconteceu, de um abuso sexual por parte do clero, não se pode muitas vezes enfrentar porque não se quer falar. A vítima em geral não quer se expor. E isso muitas vezes dificulta ainda mais este processo.

Mas haverá uma cidade central no Brasil?

É um grupo, não é um lugar, de pessoas que vão dar este apoio. Agora, esta questão do lugar, todas as dioceses, todas as associações e congregações são e devem ser o lugar seguro onde as pessoas possam se manifestar. Por isso, é que está se criando esta mentalidade, através da formação e da educação, de como fazer para que as vítimas encontrem na própria Igreja a forma de poder se salvaguardar disso ou, se infelizmente aconteceu, de apresentar a denúncia. A estrutura que existe na Igreja e as orientações que estão sendo feitas, as formações, a educação, os seminários que estão sendo feitos são justamente para estruturar cada setor da Igreja para que entenda como fazer. As dioceses têm o tribunal eclesiástico, já existe a estrutura para que esta denúncia possa chegar. O que precisa acontecer é que cada ordinário, associação, cada superior de comunidade saiba o que deve ser feito. Aí, tem todo um processo para poder explicar, porque no Brasil ainda é algo novo que se está trabalhando, mas a estrutura já existe.