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Sem a participação de fiéis, Semana Santa Diocesana foi transmitida, em tempo real, pelas redes sociais

Em tempo de pandemia do Covid-19, a diocese de Campo Limpo e as Igrejas Católicas do mundo inteiro precisaram se adaptar para fazer chegar aos fieis católicos os ritos da Semana Maior para todos os cristãos através de transmissões via internet.

Redação | Quinta, 16 Abril 2020 13:25
Sem a participação de fiéis, Semana Santa Diocesana foi transmitida, em tempo real, pelas redes sociais Érica Viana e Marcus Simi

A Semana Santa, na diocese de Campo Limpo, em todo o seu território, como na Igreja do mundo todo foi atípica. As grandes procissões, orações da Via Sacra, Adoração da Santa Cruz ou exposição do Santíssimo Sacramento, não aconteceram ou foram realizadas on-line com a participação dos católicos à distância.

Dom Luiz A. Guedes, bispo diocesano, celebrou Semana Maior para todos os cristãos, sem a presença de fieis, atendendo às recomendações da Santa Sé e dos poderes públicos municipais e estaduais. Todas as missas e celebrações foram transmitidas ao vivo pelos canais oficiais das redes sociais diocesanas.

Na Catedral vazia, a celebração do domingo de Ramos deu abertura para a Semana Santa. Em sua homilia, Dom Luiz ressaltou a importância de estar atendo aos ensinamentos de Jesus e falando sobre a pandemia vivida no mundo todo, salientou a coragem e determinação de muitos profissionais, que com sua dedicação atualizam o sacerdócio comum dos fieis adquirido no Batismo:

“Antes de sua Paixão, Jesus foi aclamado, não por todos, mas por aqueles que foram tocados pelos gestos Dele, aqueles que mais sofriam, os mais carentes, aqueles que tinham necessidade do amor de Deus, amor que Jesus havia revelado. Os outros se perguntavam: Mas quem é este homem? Jesus é o Filho de Deus, e sabendo tudo o que iria viver, despojou-se de si, se fez homem e foi obediente, até a morte de Cruz, por isso Deus o exaltou e lhe deu o nome que está acima de qualquer outro nome. Deus que ama a cada um de nós, envia seu Filho único para salvar a toda humanidade, neste sentido somos convidados, sobretudo neste tempo a imitar Jesus”.

Humano cheio de vida e alegria

Dom Luiz falou ainda sobre a necessidade de Jesus como porta voz de Deus. “Jesus é um instrumento de Deus, por isso, Ele nos ensinou a rezar assim: Seja feita a tua vontade. Em sua humanidade se identificou tanto conosco que chegou a exclamar, porque o Pai o havia abandonado, mesmo consciente de que o Pai estava com Ele, assim somos também nós. Cristo é a cabeça, nós o corpo, é preciso que imitemos os passos de Jesus: fazer o que Ele fazia; viver como Ele vivia; falar como Ele falava e cantar como Ele cantou as belezas de Deus, com alegria e louvor ao Pai”.

A pandemia e as boas ações

“Estamos sendo ameaçados por um vírus, o mundo e o Brasil vivem esta pandemia que tem trazido não só preocupações, mas tem também manifestado as coisas boas que estão nas pessoas. Com esta celebração temos que dar graças por todos que fazem parte do corpo de Cristo e também por aqueles que neste momento o imitam. Recordemos os médicos e enfermeiros e tantos outros profissionais da saúde, além daqueles que cuidam dos mais vulneráveis e se colocam a disposição para ajudar. Todos estes estão atualizando o amor de Jesus, consagrados a Deus pelo seu Batismo, mas mesmo os não batizados, realizam o sacerdócio comum dos fieis se colocando a serviço do irmão. Que esta pandemia sirva ainda para nos unirmos em oração, que este tempo nos faça pensar sobre a maneira como estamos nos relacionando com o próximo, com aqueles que precisamos nos reconciliar e que a comunhão espiritual, da qual a maioria está participando neste momento, seja sinal de uma abertura ainda maior a Jesus”, encerrou Dom Luiz.

Santos óleos

A Missa dos Santos Óleos, que acontece tradicionalmente na quinta-feira santa no período da manhã, foi celebrada por Dom Luiz A. Guedes, onde os óleos dos enfermos e catecúmenos foram abençoados e o óleo do Santo Crisma consagrado. Dom Luiz, fez a renovação das promessas sacerdotais com os dois padres presentes, convidando todos os padres que acompanhavam a transmissão a também repetirem os votos, uma renovação presencial será feita com todo o clero diocesano em momento oportuno.

Em sua homilia Dom Luiz explicou a origem da Missa do Crisma e falou sobre o sacerdócio de Jesus: “Hoje estamos aqui dando continuidade a uma tradição da Igreja, que remonta o século V, quando a celebração da Missa do Crisma teve inicio em Roma. É um preâmbulo para o Tríduo Pascal, temos nesta celebração a benção dos óleos dos catecúmenos e dos enfermos e a consagração do Santo Crisma, para que assim,  eles já possam se utilizados a partir da Vigília Pascal”, explicou no inicio Dom Luiz.

O tríplice ministério de Jesus

Dom Luiz salientou ainda sobre o tríplice ministério deixado a todos nós por Jesus e incentivou a todos que sigam seu exemplo: “Nesta Eucaristia vamos nos concentrar na pessoa de Jesus Cristo, o filho encarnado, o único e verdadeiro sumo e eterno sacerdote. No Antigo Testamento encontramos diversas categorias de pessoas que prestavam serviços, temos os reis, como Salomão e Davi, tementes a Deus, vemos também abundantemente a figura dos profetas, que ajudavam o povo a manter a fidelidade a Deus, orientados pelo Espírito Santo e notamos que haviam os sacerdotes, pertencentes a tribo de Levi. Com isto, encontramos três ministérios, o da realeza, o da profecia e o do sacerdócio. Jesus Cristo vindo ao mundo, exerceu esses três ministérios: sua realeza é incontentável é profeta por excelência de Deus, pois é a própria palavra de Deus e sacerdote, não como os descendentes de Levi, mas segundo a ordem de Melquisedeque, atraindo a todos para o amor de Deus, através de suas palavras, dos seus gestos, dos seus ensinamentos. Vivendo esse tríplice ministério Ele, deixa seu exemplo e chama a todos nós, batizados e a partir disto, membros do seu corpo, a ir e produzir frutos. Que através destes óleos o Senhor nos acompanhe”.

Tríduo Pascal

A Páscoa do Senhor, celebrado no último domingo (12), garantiu a todos os cristãos a lembrança profunda dos fundamentos da fé: Jesus morreu e ressuscitou para nos livrar do pecado. Entretanto a celebração do tríduo pascal não se resume apenas em relembrar o sacrifício de Cristo, mas de nos tornarmos parte deste caminho e renovar o perdão dos pecados.

Este ano, devido a pandemia do novo coronavírus, as celebrações sem a participação de fiéis, deixou um grande vazio em nossas paróquias, comunidades e Catedral, mesmo assim, a participação on-line ao vivo dos católicos, nas diversas transmissões que estão sendo realizadas e também através das emissoras de televisão católicas, supera dia a dia todas as expectativas.

O Tríduo Pascal da Diocese de Campo Limpo, celebrada por Dom Luiz Antônio Guedes, bispo diocesano foi marcado pelas intenções de oração por todos os que no mundo e Brasil sofrem com a pandemia do novocorona vírus. Em todas as celebrações, Dom Luiz fez questão de rezar e pedir para que aqueles que podem fiquem em casa: “É preciso rezar por todos os que neste momento sofrem com esta pandemia, aqueles que perderam a vida e por todos os profissionais que arriscam suas vidas, também precisamos fazer a nossa parte e cumprir o isolamento social para que tudo isso acabe o mais rapidamente”.

A celebração da Quinta-feira Santa, quando se recorda à última ceia do Senhor, o tradicional rito do lava-pés foi omitido, pela proibição de aglomeração das pessoas e distanciamento social, assim como na celebração da Sexta-feira da Paixão a adoração da Santa Cruz foi conduzida sem o tradicional beijo na cruz.

O sábado Santo ou a Vigília Pascal, quando a Igreja permanece junto ao sepulcro de Jesus, meditando sua paixão, aconteceu no sábado à noite com o rito reduzido. Com as luzes apagadas, Dom Luiz deu inicio com a benção do fogo novo, acendendo em seguida o círio pascal. Depois, a Páscoa foi proclamada, não aconteceu o Batismo dos Catecúmenos com de costume, uma nova data será programada para que todos os preparados receba os Sacramentos da Iniciação Cristã.

É o dia santo mais importante da religião cristã. Depois de morrer crucificado, o corpo de Jesus foi sepultado, ali permaneceu até a ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados.

Em sua homilia Dom Luiz recordou o insistente chamado de Deus ao povo à comunhão, e falou sobre a esperança que brota do sepulcro: “Deus sempre quis uma comunhão com seu povo, desde os primeiros tempos, fez isso com Abraão e ao longo da história, até enviar o seu Filho único, que venceu a morte, ressuscitou. É esta esperança que brota da dor do Sábado; esta é a esperança que o Espírito concede a todos nós. A verdade que celebramos é este enviar de Jesus e a partir da sua ressurreição, assim como ele enviou aquelas mulheres do evangelho, como enviou os apóstolos, cada Páscoa ele também nos envia para sermos sal da terra e luz do mundo a todos”.

No domingo de Páscoa, a missa celebrada às 10 horas da manhã por Dom Luiz deixou claro que a presença de Jesus ressuscitado não é uma visão ou alucinação dos Apóstolos: “Quando dizemos que Cristo vive, não é um modo de falar apenas, Ele está mesmo no meio de nós”, pontuou o bispo.

E no final da celebração agradecendo a vivencia da Semana Santa, lamentou a distância física dos fieis imposta pela pandemia, incentivando a vivência do amor e da caridade: “Quero pedir a Deus, nosso Senhor, que os fortaleça sempre mais, estamos separados fisicamente, mas sempre unidos na comunhão do Espírito Santo que nos foi dado pelo pai e por Jesus, que nos une a eles, ao Pai e ao Filho, mas que também nos une entre nós. Que todos sejamos fortalecidos, na amizade, na fé, na esperança e também na caridade. Que todos tenham uma santa e feliz páscoa”.