O que nos eterniza é a docência, ensina o professor Mário Sérgio Cortella

Os desafios da educação foi o tema abordado pelo professor Mário Sérgio Cortella para as 1800 pessoas presentes no evento Café com Cultura promovido pela Pastoral da Educação e Ensino Religioso da Diocese de Campo Limpo.

Andrea Rodrigues | Terça, 05 Novembro 2019 16:51
O que nos eterniza é a docência, ensina o professor Mário Sérgio Cortella

A Pastoral da Educação e do Ensino Religioso da Diocese de Campo Limpo promoveu no dia 01 de novembro, na Catedral Diocesana Sagrada Família, um ‘Café com Cultura’ com Mário Sérgio Cortella.

Na abertura o Bispo Diocesano, Dom Luiz Antônio Guedes, acolheu e abençoou a todos e desejou que o encontro fosse proveitoso para que o entrelaçamento fraterno de todas as pessoas preocupadas com os rumos da educação seja fortalecido por ações fraternas em toda sociedade.

Para falar sobre a Pastoral da Educação e do Ensino Religioso, o Coordenador de Pastoral, padre Marcos Joaquim Patrício, convidou a professora e coordenadora da pastoral, Edna Maria da Costa Loureiro, o professor Claudemir Queiroz e o Bispo responsável pelo Vicariato Episcopal para a Educação e Universidade da Arquidiocese de São Paulo, Dom Carlos Lema Garcia, que fez questão de ressaltar o desejo da Igreja em colaborar dada a sua vocação educadora historicamente marcada na construção da cidade.

Dom Lema pontuou: “O professor é fundamental para toda a sociedade, todos nós passamos na mão de algum professor, somos o que recebemos dos nossos professores, a vocação do educador é muito importante para a sociedade, para a família, e a Igreja valoriza isto, esta homenagem é mais que justa”.

Às dez horas em ponto, o filósofo, escritor e professor há 45 anos, Mario Sérgio Cortella, entrou em cena sendo aplaudido de pé pela multidão ansiosa. Com muito bom humor e sorriso sempre estampado no rosto, fez a plateia sorrir e se emocionar. Utilizando apenas microfone, em uma hora e meia de palestra, poucos, das mais de 1800 pessoas levantaram ou demonstraram distração.

“Com alegria recebi o convite já há alguns meses para estar aqui para falar com vocês que, assim como eu, são educadores, e é para mim um prazer fazer isso em celebração ao nosso dia, o dia dos professores”, disse na abertura.

Com o tema “Os desafios da educação na atualidade”, Cortella ressaltou as características desejáveis para bem executar este ofício: coragem, humildade, paciência e nunca resmungar. Segundo ele, estas são as ferramentas necessárias para lidar com um novo tempo na escola que recebe crianças e jovens inseridos em tantas situações como: as novas configurações de família; de pais com dificuldade em estabelecer regras e disciplina em casa e pediu ainda atenção, para que a reclamação e a murmuração, não faça parte do cotidiano de nenhum educador.

Entre tantos conselhos, insistiu na persistência: “Se vocês querem ir adiante em direção ao futuro, não deixe o ‘professor velho’ se apoderar de você. E o professor velho independe da idade, porque ele é aquele desestimulado, acomodado, pessimista e tem como frase preferida ‘a vida é assim’”.

Esta é a primeira edição do evento e reuniu professores e gestores de diversas partes do território diocesano, católicos ou não, convidados a vivenciar esta manhã em celebração ao dia do professor.

Durante toda a palestra, Mario Sergio Cortella deu exemplos de situações cotidianos vividas em sala de aula, arrancando por diversas vezes risos da plateia e refletindo sobre a docência ponderou: "Professor é aquele que partilha o que sabe, procura o que não sabe, pratica o que ensina, pergunta o que ignora e vai em busca daquilo que é a capacidade de não ser exclusivo. Isso é a docência: uma maneira de existir. Não é só uma profissão. Por isso, ela tem em si a palavra doce”.

“No meu livro: Qual é a tua obra? Tem uma frase de Benjamin Disraeli que diz: A vida é curta para ser pequena, e isso quer dizer que ela não deve ser banal, fútil, superficial, morna. A vida fica mais curta quando você a esvazia e uma das maneiras de engrandecer a vida, eu e você professor encontramos no magistério. Nós não somos imortais, como escreveu outra filósofa de quem eu gosto muito, Terezinha Rios: “Nós não somos imortais, mas podemos ser eternos”, e nós somos eternos, porque o que nos eterniza é a docência, isto é, a repartição de si, daquilo que temos conhecimento, dos valores que vão ficar em cada criança que passou por nossas mãos”.

Ao encerrar a palestra e agradecendo a imensa acolhida disse: “Não pode haver intenção sem dedicação, não pode haver desejo sem esforço, levanta e vai, faça algo, lembre-se é proibido resmungar. Jesus de Nazaré ensinou uma coisa, e tanto faz você ter religião ou não: “O verdadeiro líder não forma seguidores, forma outros lideres”; e é assim que vamos ‘ficar’, formando aqueles que continuaram a nossa obra. Por isso, neste dia de Todos os Santos, de um modo respeitoso, porque dos Santos e das Santas todos nós temos algo, que é a capacidade de não desistir, eu quero deixar aqui uma frase para reflexão, de um homem que colocou a vida a serviço, Albert Schweitzer: “A tragédia não é quando um homem morre. A tragédia é o que morre dentro de um homem quando ele está vivo”.

Veja a galeria completa das imagens do encontro no Facebook da diocese.

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