Dom Luiz: Ser Igreja Missionária

Dom Luiz Antônio Guedes | Segunda, 08 Outubro 2018 13:36
Dom Luiz: Ser Igreja Missionária

Este mês das Missões que estamos vivendo interpela a consciência de nossa Igreja Particular. A Igreja não existe para si mesma. Existe para a humanidade. A razão de ser da Igreja, a finalidade para a qual ela foi instituída por Jesus é a evangelização: “Eu escolhi vocês e os destinei a ir e dar fruto, um fruto que permaneça” (João 15, 16).

A vitalidade da comunidade eclesial está na sua fidelidade em viver o envio recebido de Jesus. Durante muito tempo nós nos acostumamos a organizar bem a vida interna de nossas comunidades, a esperar que as pessoas nos viessem procurar e até nos esquecemos de esmerar no acolhimento aos que nos procuravam. Há cristãos e há presbíteros que se contentam em zelar por aquilo que ocorre dentro dos limites de suas paróquias. Esquecem que são co-responsáveis pela missão de toda a Igreja. Ainda há quem pense que missão é responsabilidade apenas das congregações missionárias ou de alguns grupos especializados.

É necessário redescobrir que a Igreja Particular, isto é, a Igreja Diocesana é sujeito da missão. Nos primórdios do cristianismo contemplamos as Igrejas locais profundamente empenhadas na evangelização. Vemos, por exemplo, como Paulo e Barnabé são escolhidos e enviados pelo Espírito Santo a partir da Igreja de Antioquia (Atos 13, 1-5) e a ela voltam para relatar tudo o que o Senhor havia feito através deles (Atos 14, 21b-28).

A vitalidade da Igreja depende de não guardar para si aquilo que recebeu do Senhor e de comunicar a toda a humanidade, a partir do lugar onde está, o que o Senhor quer fazer chegar a todos: “Eu vim para que todos tenham vida e vida em plenitude” (João 10,10).

O apelo é assumir a missão a partir do lugar onde estamos e ampliar sempre mais os horizontes de nosso zelo.  Evangelizar os batizados. Procurar os afastados. Ser solidário com os que sofrem. Acolher bem quem chega a nossas comunidades. Percorrer juntos o caminho do seguimento do Senhor. Há gente em situações de risco: desempregados, migrantes, menores de rua, crianças abandonadas. Quem será boa nova para todos eles? É preciso alargar o olhar, viver um amor que abranja o mundo e a humanidade. Já o Papa Paulo VI falava que não se deve esperar que a Igreja esteja pronta para partir em missão e desafiava as Igrejas em formação a dar da sua própria pobreza.  Com certeza, quanto mais missionária a Igreja, mais dinâmica e cheia de vida ela será.

Que o Senhor conceda a todos a graça de termos um espírito verdadeiramente cristão-missionário decidido com a causa da evangelização.