Cristãos na missão de evangelizar

Dom Luiz Antônio Guedes | Terça, 10 Julho 2018 11:18
Cristãos na missão de evangelizar

Com o passar dos anos, as formas de realização das missões evangelizadoras foram diversificadas, levando-se em conta a história de cada paróquia, suas experiências, seus recursos e sua criatividade. Alimento a esperança segura de que as poucas paróquias que ainda não iniciaram as missões irão fazê-lo motivadas pelo testemunho das demais e pela abertura de coração para compreenderem que a evangelização é a razão pela qual Jesus fundou a sua Igreja.

Para a vivência autêntica e corajosa da missão é necessário aprofundar e fortalecer o ardor missionário. Uma das formas propícias para se manter o entusiasmo é a volta do próprio olhar para a experiência dos primeiros cristãos no alvorecer do Cristianismo.

Os discípulos de Jesus, inclusive o grupo dos Doze, em sua maioria eram pessoas simples e parecidas conosco. Quando Jesus foi preso, com algumas exceções, eles o abandonaram. Porém, após a morte de Jesus, eles se reúnem novamente. Verifica-se neles uma grande mudança. Antes eram tímidos, preocupados consigo mesmos, disputando entre si para saber qual deles seria o maior. Agora é diferente: estão unidos em torno do projeto de anunciar o nome de Jesus. Descentram-se e fazem de seu Mestre a razão de sua vida.

A sua transformação aponta para um acontecimento só percebido pela fé: a ressurreição do Crucificado. O sinal mais eloquente deste fato não é o túmulo vazio, mas a vida nova dos discípulos. A consequência é um estilo novo de vida: honram o rei e o imperador, mas não os reconhecem como divinos. Só Deus deve ser adorado e obedecido de forma incondicional, pois só Ele é o Senhor da Vida.

Hoje, quando se fala da exigência de ser uma Igreja em estado permanente de missão, de ser uma Igreja ‘em saída’, insiste-se também na necessidade de uma experiência de Deus, de um encontro com Jesus Ressuscitado. Este é o ponto de partida para o novo entusiasmo.

Outra característica dos primeiros cristãos é que eles mantém entre si um relacionamento de fraternidade e de solidariedade. É preciso rever e incentivar estes aspectos nas comunidades eclesiais. É certo que em todo relacionamento há momentos de desencontros, de crise, mas tudo isso deve ser analisado e trabalhado para ser equacionado. Não se pode esquecer que sempre há necessidade de conversão.

Também é inspirador para nós a percepção de que os primeiros cristãos tinham um norte: a vida em plenitude. Seus horizontes não estavam limitados por aquilo que os olhos conseguem decifrar. Viam além. Enxergavam o invisível. E esta visão abrangente repercutia no momento que estavam vivendo e os sustentava no meio das vicissitudes e contrariedades do seu tempo. Percorriam um caminho semelhante ao de Jesus e aprendiam que é na entrega da vida que ela adquire todo o seu sentido. O testemunho dos primeiros discípulos questiona os que buscam um Cristianismo, sem compromissos e sem riscos.

Que cada celebração seja para nós um novo ponto de partida, um compromisso decidido com a causa da evangelização.