A necessidade de ouvir a palavra de Deus na celebração litúrgica

“Na celebração litúrgica, é máxima a importância da Sagrada Escritura. Para se cuidar da reforma, do progresso e da adaptação da Sagrada Liturgia, é necessário que se promova o suave e vivo afeto pela Sagrada Escritura atestada pela Tradição.” (Sacrosanctum Concilium, 24)

Pe. Fausto dos Santos | Segunda, 30 Abril 2018 17:00
A necessidade de ouvir a palavra de Deus na celebração litúrgica

Desde as origens da Igreja fazem-se leituras bíblicas. Antes de se realizar a ação sacramental de Deus, a Igreja faz memória do mistério pascal através das leituras, seja do Primeiro (Antigo) Testamento, dos Atos e das Cartas dos Apóstolos. Contudo, no Segundo (Novo) Testamento, a Palavra se identifica com o próprio Verbo encarnado, Jesus Cristo. Ele é a Palavra. Diz o Concílio Vaticano II: “Ele está presente pela sua palavra, pois é Ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na igreja” (SC 7).

Nos primórdios da era cristã, as leituras eram proclamadas diretamente da Bíblia (coleção de livros inspirados por Deus). Ao longo dos tempos os textos bíblicos utilizados na Liturgia foram “recortados” e agrupados em diversos livros, de acordo com a celebração litúrgica a ser vivenciada, sobressaindo assim o Lecionário (onde a palavra de Deus é traduzida na linguagem litúrgica e estruturada diferentemente da tradução e estrutura bíblica) e, mais tarde, o Evangeliário.

Daí, com a reforma litúrgica promulgada pelo Concílio Vaticano II, houve a revisão de todos esses livros litúrgicos num perfeito elenco das leituras da missa e demais celebrações e a tradução das mesmas na língua própria daquele país sob a responsabilidade das Conferências Episcopais e a aprovação pela Sagrada Congregação do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos (tudo isso você pode conferir e compreender melhor lendo a Introdução do Lecionário da Missa).

Na Liturgia, a Palavra de Deus deve ser ouvida atentamente, e não lida nem acompanhada, de forma alguma, como uma leitura particular (não deve ser acompanhada através da Bíblia, dos “benditos” folhetos litúrgicos ou outros subsídios e muito menos projetada nos telões ou ainda através dos celulares, que me parecem ser a última moda, não é?).

A Palavra de Deus na Liturgia possui caráter sacramental e se constitui em elemento ritual comemorativo dos mistérios celebrados, com livros próprios devido a sua linguagem e estrutura, como dito acima (veja na sacristia da sua paróquia os volumes dos lecionários: Dominical - para os domingos e algumas solenidades que podem cair aos domingos -, Semanal: para cada dia da semana-, Santoral: para a comemoração dos santos e o mais desconhecido por nós, o Pontifical: para as celebrações litúrgicas de presidência dos senhores bispos). Por isso, devemos entender que na Celebração Litúrgica não estamos num grupo de oração, não estamos fazendo uma leitura orante da Bíblia nem um estudo da Palavra de Deus.

Na celebração litúrgica estamos celebrando, tornando presente a ação de Deus em nossa vida (e não entendam que eu esteja depreciando a Bíblia, ao contrário, ela deve ser lida diariamente e seus ensinamentos colocados em prática por cada um de nós, mas o lugar dela não é na celebração litúrgica. Para as celebrações litúrgicas temos os principais livros litúrgicos: Lecionário, Evangeliário e Missal).

Na Celebração Litúrgica, a Palavra de Deus deve ser ouvida e acolhida nas virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade. Nossa atitude de resposta, deve ser a acolhida, a conversão, acreditando que se trata de uma palavra, atual, viva e eficaz.

Na proclamação da Palavra na celebração litúrgica, os nossos olhares e atenção devem se dirigir para o Ambão, o lugar da proclamação da Palavra, o lugar onde através da Palavra o próprio Deus nos fala.

Concluindo, desejo ardentemente que essa reflexão sobre o lugar da Palavra de Deus nos leve a investir em formações para os proclamadores da Palavra em nossas paróquias, em bons equipamentos de som, numa conscientização plena de toda a assembleia, para que a Palavra seja acolhida nos corações como em um terreno fértil e como ouvintes atentos da Palavra de Deus possamos devolvê-la a Deus pelos irmãos com frutos de boas obras.

 

Pe. Fausto dos Santos Oliveira

Assessor Diocesano da Área de Ação Evangelizadora Litúrgica

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