O mês das vocações, têm dia dedicado aqueles que se colocam à serviço da Palavra: os catequistas

O mês de agosto, conforme o costume da Igreja no Brasil, é dedicado à oração, reflexão e ação nas comunidades sobre o tema das vocações. Especialmente neste período, todos são chamados para assumir de forma generosa os ministérios, e neste contexto, não poderíamos esquecer daqueles que se colocam à serviço da Palavra: os catequistas.

CNBB | Segunda, 06 Agosto 2018 12:00
O mês das vocações, têm dia dedicado aqueles que se colocam à serviço da Palavra: os catequistas CNBB

Pela valorização de seu trabalho e missão, os catequistas têm um dia nacional dedicado a eles, comumente celebrado no último domingo de agosto. Neste ano, por coincidência, o Dia Nacional do Catequista cairá no quarto e último domingo do mês, 26, período em que a Igreja também celebra a semana de orações para os ministérios e serviços na comunidade.

Como de praxe, todo ano a Comissão para a Animação Bíblico Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulga uma mensagem aos catequistas.  Desta vez, o presidente da Comissão, dom José Antônio Peruzzo, afirma que são eles os “evangelizadores que respondem a um apelo que lhes ressoa desde dentro, desde o coração”.

O fato é que a vocação do catequista é fundamental no centro da vida paroquial. São eles os responsáveis por se colocar a serviço da Palavra, são instrumentos para que ela ecoe. O padre Antonio Marcos Depizzoli, assessor da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, afirma que no processo de vivência e transmissão da fé, o catequista é a pessoa que acolhe a melhor herança que pode ser entregue a alguém: a graça de ser filho/a de Deus, de participar da natureza divina. 

“Nesse itinerário de fé, o seguidor de Jesus Cristo reconhece que sua vida e missão é resposta ao chamado para viver numa contínua relação com o mistério Pascal de Cristo e com o mistério da Igreja. A cada novo dia, há uma nova oportunidade para louvar a Deus Pai que por seu Filho, Jesus Cristo, nos chama à santidade, na força e graça do Espírito Santo. Mas, a Igreja no Brasil, em sua sabedoria, tem proporcionado um mês com ênfase toda especial para despertar, mais e mais, na vida de cada vocacionado o quão precioso é ser filho/a de Deus”, afirma o padre.

Nesse contexto, o sacerdote diz que celebrar um dia solene do vocacionado (catequista) é, de acordo com ele, uma ocasião de muita bênção: “Sinaliza para modos específicos de colaborar na expansão do Reino de Deus. Esse dia inspira a alegria de ser chamado à vida cristã e a gratidão pelo dom de, mesmo na nossa fragilidade, poder contribuir generosamente para que outros ouçam a vocação/chamado que Deus lhes faz e sejam ajudados a responder”.

Especialmente no Ano do Laicato, época em que a Igreja insiste no protagonismo dos cristãos leigos, convidando-os a assumir papeis ativos na Igreja e na sociedade, os catequistas se tornam protagonistas dessa história. “O catequista é um cristão, atualmente, em sua grande maioria, leigo ou leiga, que segue Jesus Cristo apaixonadamente. São homens e mulheres, de idades diferentes, com suas histórias de encontro pessoal com Cristo e vida comunitária, presentes em todos os lugares do Brasil. Diante dos desafios que são próprios de cada contexto, caminham encantados pelo Senhor, como ‘mestres’ em despertar outros para a alegria e entusiasmo em viver na comunidade dos discípulos missionários de Jesus Cristo”, afirma Depizzoli.

Para o presbítero, o Ano Nacional do Laicato é dom e tarefa para o cristão catequista aprofundar a sua identidade, vocação, espiritualidade e missão; e testemunhar Jesus Cristo e seu Reino na sociedade.

 

MENSAGEM AOS CATEQUISTAS

Dia Nacional dos Catequistas – 2018

 

Queridos e queridas Catequistas!

Já nos avizinhamos do Dia do Catequista. Será no próximo 26 de agosto. Foi grande a sabedoria que inspirou a inserção deste dia nos quadros do mês vocacional. As palavras ‘voz’ e ‘vocação’ vem da mesma raiz latina. E é assim que a Igreja os reconhece, queridos e queridas Catequistas. São evangelizadores que respondem a um apelo que lhes ressoa desde dentro, desde o coração.

Enquanto escrevo estas linhas recordo-me do diálogo de Jesus com seus discípulos apresentado por Mateus, o evangelista com grande sensibilidade catequética. “Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse aos discípulos: a colheita é grande...” (Mt 9,36). Em seguida eles foram enviados quais missionários das boas notícias da parte de Deus.

Sei que se recorda, amigo e amiga Catequista, daquela pessoa que, pela primeira vez, lhe dirigiu o convite para colaborar com o Senhor na Catequese. Até os detalhes lhe afloram à memória. Era a comunidade que precisava. Alguém lhe falou desde fora, mas provocou aquela voz que vem de dentro. Era como se o Senhor Jesus já estivesse a compadecer-se dos catequizandos e, então, estaria a confiá-los a Você. Pois bem, hoje deixe-se ‘olhar” por ele. Tente imaginar o próprio Senhor, com os olhos cheios de compaixão, a voltar sua face para eles, os catequizandos, e depois para Você. O que ele lhe diria? Escute-o. Deixe-o falar.

Ele nunca se deixa vencer em generosidade. Estará sempre ao seu lado, com a força do seu Espírito, para renovar as compaixões, para revitalizar as motivações, para vencer as desilusões. São alegrias e dramas que ele conhece bem. Os grandes discípulos e discípulas também já experimentaram. Eles se sentiram pequenos, pequenas. Venceram porque a força que os sustentava vinha do amigo e Senhor. Como o apóstolo e catequista por excelência, Paulo, muitos repetiram em seu íntimo: “Eu sei em quem acreditei...” (2Tm 1,12). Lembre, pois, de seu chamado, de suas vitórias, e siga no serviço da Catequese.

Em suas orações não esqueça da nossa 4ª Semana Nacional de Catequese, prevista para novembro (14-18/11). Estou convencido que serão dias de grande impulso para o futuro da nossa Catequese. Recomendo-lhe também que busque compreender bem e estimular a Iniciação à Vida Cristã. Ela leva consigo uma poderosa força renovadora para a evangelização no Brasil.

Despeço-me com palavras de imensa gratidão a todos os Catequistas deste nosso Brasil. Que o Senhor lhes abençoe por serem uma fonte de bênçãos à nossa Igreja. E que a poderosa intercessão da grande Catequista, aquela de Nazaré, esteja sempre a acompanhar os seus passos.

 

Dom José Antonio Peruzzo

Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB